1.2.16

Machismo no Rock e no Metal - Parte I

Por Chriscia Cross

Quem me conhece sabe que após um casamento abusivo me ví livre pra estudar música, fazer artes marciais e ser feliz.
Dedicava todo o meu tempo disponível aos estudos de música, fiz Villa Lobos, estudei com professores particulares de canto e guitarra. Parecia curada da depressão e da ansiedade. Comecei em uma banda modesta com letras de protesto e som punk. Não havia muito problema até uma letra ser rejeitada pelo baterista que era dono do estúdio. Ele era cristão e a letra protestava contra a corrupção religiosa. Entrei em outra banda som punk-thrash. Cheguei a fazer um show e foi aí que comecei a ter contato com a coisa toda. A maioria das bandas tinham essa coisa de 'rock é pra macho', 'pra quem toca sem camisa', pra quem urra mais grosso', 'nosso meio tem cerveja e coisas de homem'.

Eu tinha plena segurança que minhas composições eram boas e elogiadas ao passo que alguns integrantes mal sabiam ler cifras. Mesmo assim, algumas vezes quando me chamavam pra tocar em uma banda, o interesse era ter mulher pra chamar a atenção. Um adorno pra bandinha de machos deles. Fui entendendo como funcionava e comecei a rejeitar propostas. Rejeitei muitas pois analisando as falas, coisas do tipo: ' a gente quer uma integrante pra dar uma impulsionada na banda'. Tipo, caras vão ao show pra xavecar a mina da banda e isso é bom pra banda.

Meu sonho sempre foi ter uma banda de meninas mas como a vida é difícil, eu voltei a ficar muito deprimida. Em seguida, desenvolví um quadro de enxaqueca crônica que tenho até hoje. A medicação tira completamente a concentração, a memória vai pro espaço. Como se não bastasse o machismo, enfrentei também problemas de saúde. Passei por muitas bandas, sem me fixar em nenhuma. Vamos falar sobre o que ví e como sobrevivi:

Conheci meu namorado em uma banda. Começamos a compor coisas legais mas o líder da banda não gostou do fato de estarmos namorando e compondo pra banda. Ridicularizou nosso trabalho e me tirou da banda. Nota: Este sujeito não sabia nem ler um Dó na pauta. E eu meu namorado estamos juntos até hoje.

Estive em uma banda de playboyzinhos vikings. Como a banda era cover do Amom Amarth, eles viviam reclamando que não poderiam fazer a mesma performance porque os caras tocavam sem camisa como guerreiros e eles tinham uma mulher na banda. Nessa época estava começando a ficar muito doente e faltei alguns ensaios. Em um mês de início eles marcaram show e tive que tirar nove músicas para um show, porque o líder estava com pressa. Ele queria aparecer. Fizemos um show aos trancos e barrancos. O baterista esqueceu uma parte, o guitarrista solo se embolou. Mas eles tinham que reclamar do som da minha guitarra estar baixo, do meu equipamento e que toquei pro meu namorado que estava lá me dando força.  Assim como as namoradas deles estavam no evento também mas não havia problema. Não entendí... Aiás, a gente entendeu sim né meninas!

Uma outra banda, tudo corria muito bem. Eu compunha para a banda e estavamos gravando um cd demo. Tudo bem mas... O vocalista se apaixonou (ou faltou senso e respeito né, já que eu sou comprometida). Claro, saí da banda e foi algo muito ruim. A banda me fazia bem, éramos todos amigos e a banda acabou por isso. Coleguinhas machistas vão dizer: 'Por isso que não pode ter mulher em banda'. É mesmo? No seu trabalho não tem mulher? Na escola não tem mulher? Ou seja, a culpa é sempre da mulher que está alí instigando ou a culpa é do homem que não tem limites nem ética?

Muitos emails, inbox, homens me parando na rua e dizendo que queriam montar um projeto com uma mulher. E isso me perturbava pois eles nem se quer perguntavam sobre minhas experiências e habilidades. Era só uma imagem mesmo. Tem disso. Mas é só dizer não. A raiva passa.

Bom, passei por muitas legais, outras não pude manter por conta dos problemas de saúde. É muito triste passar o mês estudando algumas partituras e te dar um branco na hora do ensaio. É mito triste querer estar na música mas estar agonizando de dor na cama. Bom é isso. Além de uma figura feminina está toda uma vida. Suas lutas, seu passado, seus sonhos.

Eu sigo gostando muito do metal. Essa é minha visão interna, em que estive envolvida. No próximo vou falar das grandes bandas e todo o mercado mundial. Vai ser show! 

Aquí no primeiro show, eu tocava guitarra (banda se diluiu por ideologias diferentes punk x thrash, a amizade fica):
 

Última banda, Unconfined Souls, muito legal. A banda acabou após o desfalque de uma das guitarras:




10.1.13

'Mulheres Guerreiras' : restituindo a força, a integridade e os valores sociais femininos.


 Em nosso meio social, muitas mulheres estão sendo oprimidas e agredidas pelo sistema patriarcal.  O patriarcado prioriza a figura do homem como dono dos privilégios, do poder sobre o gênero feminino. Mesmo nos dias atuais, as igualdades de gênero não são respeitadas. Reprimindo esses abusos, estaremos contribuindo para uma sociedade menos opressora, mais igualitária e respeitável, preservando assim, a dignidade de nossas filhas, netas e todas as demais gerações. É incontestável que a luta que travamos é árdua, mas vemos muitas vitórias e essa é a parte mais gratificante. Lembrando que a família tradicional e a sociedade perpetuam ideias que diminuem a autonomia feminina. 'Lugar de mulher é na cozinha' e educar meninas somente para casar e ter filhos, é uma delas. Ofensas como 'feminista gorda' ou 'feminazi' jamais vão derrubar nossa luta. São pensamentos ignorantes, sem valor.
Temos os mesmos direitos que os homens, pois somos cidadãos iguais. A liberdade de ir e vir, de falar, pensar pois somos competentes e capazes. E ninguém pode nos tirar esse direito.

O domínio do homem sobre a mulher:
Como primeiro recurso, o machista impõe, ele deprecia, ele manipula. Se for questionado, ele altera a voz, se torna agressivo, tenta convencer com diversos argumentos. É retórico, inverte as situações roubando a razão pra si. Distorce uma situação e ameaça. Como último recurso, ele agride. Além de abusar psicologicamente da vítima ele também utiliza recursos selvagens, como tamanho e força. É um animal usando a  agressividade como meio de domínio.
O machista usa argumentos de falácia para mostrar uma pseudo razão, não concilia, nunca pensa em favorecer a outra parte. Como ele é egoísta, toda a situação gira em torno dele próprio, dos seus desejos, do seu querer. É o jogo do domínio.

Como transformar este monstro em um ser civilizado? Continuamos fazendo nossa parte, esclarecendo aos mais velhos, educando os meninos e meninas.

Civilidade e machismo.


Temos um mundo enorme e diverso em cultura e etnias. Quando falamos de civilidade pensamos em cidade, em pessoas letradas e suas tecnologias. Mas será que é só isso?
O respeito e a cordialidade estão ainda muito longe. A igualdade de direitos entre os sexos é abalada por edemas culturais, preceitos religiosos e uma leitura social errônea e falha. através dos séculos tivemos muitas repressões impostas pela religiosidade patriarcal e por sistemas políticos extremistas e autoritários. A máscara da democracia em alguns países parece funcionar bem. Contudo, é uma máscara. Sempre haverá alguma mulher no nosso círculo social vitimada pela violência machista. E por muitas vezes, a violência já foi experimentada por nós mesmas. O pudor em se falar do problema é um grande empecilho para a solução do problema. Quantas mulheres sentem vergonha em denunciar o agressor?
Vergonha da família, vergonha dos amigos, da comunidade, medo de ser desvalorizada, pois nossa sociedade é tão ignorante que acaba tratando a vítima com preconceito. A atitude correta é denunciar. Não espere um milagre, não espere o agressor 'ficar bonzinho', não espere a justiça de Deus. FAÇA SUA JUSTIÇA! DENUNCIE! Peça ajuda a alguém próximo, pense que não é a única e que sua DIGNIDADE é mais importante que qualquer medo ou orgulho. Não adianta estar em cima do salto e estar sendo desonrada. Não adianta sorrir para os vizinhos e saber que pode chegar em casa e ser espancada. Não adianta ter uma filha sabendo que ela pode ser vítima dessa violência e não querer pensar a respeito disto.Converse com ela. Converse com as amigas.
Vamos falar disto! Vamos punir, vamos deletar essas pessoas da sociedade. JÁ!

por Chriscia Cross

O machismo intrínseco


O machismo está escondido na literatura, nas artes, nas religiões, nos costumes de cada cultura. Não é pleno, mostra facetas em vários aspectos. É um fardo que a humanidade carrega há vários anos. Sem perceber, você acaba tendo essa percepção. O machismo é imposto de forma educativa passando por gerações.  Ele destrói a ingenuidade das crianças, colocando o fel em suas mentes, deixando uma marca ignorante no intelecto humano. Ele aporta como ideologia, como uma base funcional de argumentos para os que não tem inteligência polida. Surge também como piadas de gosto duvidoso e como assunto para ser discutido no bar, afirmando a condição de superação humana através do gênero sexual masculino. Quem nunca a estúpida frase: 'Eu sou macho'. Uma frase de enfrentamento baseada em que? No órgão sexual masculino? Se a intenção é falar sobre coragem, não seria melhor abordar sobre coragem, bravura e honra? Porque está sendo colocado de forma diferente? Simplesmente porque é passado de geração em geração a idéia de que a coragem só pode ser vivenciada por indivíduos do sexo masculino. O machismo está nas poesias, através dos pensamentos de escritores e toda a escória machista que se esconde na mídia.  Poemas de Vinícius de Moraes, Oscar Wilde, Niccolo Maquiavel ('Estou convencido de que é melhor ser impetuoso do que circunspecto, porque a sorte é como a mulher; e, para dominá-la, é necessário bater nela e contrariá-la'), conceitos religiosos de maomé, de algumas religiões orientais e de várias vertentes do judaísmo e cristianismo, livros e mais livros contendo 'a poeira do preconceito'. Até mesmo o grande filósofo Friedrich Nietzsche, não poupou as mulheres de destilar seu veneno cruel: ('Comparando no seu conjunto homem e mulher pode dizer-se: a mulher não teria engenho para se enfeitar se não tivesse o instinto do papel «secundário» que desempenha'). Não queremos reprimir o machismo. Queremos extirpá-lo. É um câncer social que causa muitas vítimas. O machismo arraigado na sociedade foi uma constante durante muitos séculos... Não há como pensar em futuro, qualidade de vida e modernidade sem pensar em destituir tal pensamento.

por Chriscia Cross

AINDA ESTAMOS TÃO LONGE DE CONSEGUIR A PAZ MUNDIAL.



A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER E CONTRA A CRIANÇA SUSSURRA SEM VOZ, PERDIDA ENTRE O DESESPERO E A ANGÚSTIA.

Estes criminosos tem advogados para sua defesa. E vão fazer de tudo para se defender da punição. Para continuar matando, estuprando e destruindo vidas. São marginais que precisam ser excluídos da sociedade.

Precisamos de leis mais severas em todo o mundo. O mundo precisa mudar. As culturas islâmicas, as culturas patriarcais, todas as regras religiosas que subjulgam a figura feminina. mulheres do mundo todo precisam se unir, precisam sair do ponto de conforto e enxergar a realidade delas. Estamos a muito tempo em guerra, sem o direito de expressão e de defesa. E maioria das pessoas ficam alienadas com seus ipods, seus tablets e suas redes sciais na comodidade de suas casas ou com seus cartões de créditos numa tarde num shopping. Essa alienação só contribui para que a violência continue. vamos falar disto! Com as amigas, nos estabelecimentos comerciais, nas entidades religiosas, nas intituições de esino, em qualquer lugar. Vamos fazer a nossa parte elaborando palestras, reuniões, trocando informações. Vamos pensar nas gerações, nossas filhas, nossas netas e todas as mulheres e crianças desconhecidas que merecem respeito e vida dígna.

Fonte:DW por uol



Caso de estupro coletivo expõe falhas da Justiça da Índia

Para especialistas, sistema judiciário indiano é sobrecarregado e têm lacunas que impedem a condenação de criminosos. E as mulheres são as principais vítimas dessa situação.

São números preocupantes: de acordo com um parecer divulgado em 2006, o Supremo Tribunal da Índia, na capital Nova Déli, precisaria de 466 anos para julgar todos os processos que estão amontoados na instituição. Ainda em 2010, o então presidente do Supremo, K. G. Balakrishnan, calculou o número de casos e chegou a inacreditáveis 27 milhões. Como se não bastasse, há uma escassez de juízes no país para cuidar de todos os processos.

Para a advogada e ativista Shweta Bharti, de Nova Déli, o problema não está no sistema jurídico indiano, que ela considera avançado, nem na legislação, que ela vê como abrangente. "O problema é a implementação. Pode demorar anos para que a justiça seja feita. E há, ainda, muitas lacunas na legislação." Essas lacunas permitiriam que acusados de cometer grandes crimes não sejam punidos ou, até mesmo, respondam pelos atos recebendo uma punição menor. De forma frequente a polícia se vê com as mãos atadas, diz Bharti.

Kamini Jaiswal, advogada do Supremo Tribunal da Índia, vai além e diz que não existe investigação independente no país. "Há mais de sete anos a suprema corte promulgou uma sentença pela qual as forças policiais na Índia deveriam ser totalmente independentes. Mas os políticos não querem que a polícia trabalhe de forma independente. Se as investigações são obstruídas, como podemos esperar que criminosos sejam condenados?", questionou.

De acordo com a Associação pelas Reformas Democráticas, uma organização não governamental de Nova Déli, cerca de um quarto dos políticos do Parlamento indiano têm processos pendentes: em parte por causa de homicídio, sequestro ou roubo.

Organização da Justiça



O Supremo Tribunal da Índia tem 27 milhões de processos acumulados para serem julgados

O sistema judiciário indiano é muito influenciado pelo direito anglo-saxão. De acordo com a Constituição de 1950, no ponto mais alto do poder judiciário está o Supremo Tribunal da Índia. A principal tarefa de 26 juízes, nomeados pelo presidente, é resolver principalmente disputas entre os estados, como também entre os estados e o governo federal. As sentenças do Supremo Tribunal são obrigatórias para todas as cortes indianas.

No próximo nível estão as chamadas "altas cortes", que são os Supremos Tribunais dos Estados. Além disso, no nível dos distritos há tribunais civis e penais. Existem também conselhos nas vilas, chamados de Panchayats, que tomam decisões relacionadas a disputas menores.

Somente as regras do direito da família e do casamento são, em alguns casos, influenciadas pela religião. Por exemplo, para os muçulmanos – que constituem cerca de 16% da população –, há uma lei própria para o casamento.

Mulheres como vítimas

A ativista Bharti diz que principalmente as mulheres são desfavorecidas pelo sistema judicial da Índia. Por possuírem um status inferior dentro da sociedade, elas são frequentemente mandadas para casa pela polícia quando apresentam queixa por causa de violência. Se forem pobres e de baixa instrução, a situação é ainda pior, principalmente no interior do país. Diante da arbitrariedade da polícia – em parte corrupta – e do temor de exclusão social, muitas vítimas de abusos sexuais decidem ficar caladas, afirma Bharti.

Apenas 20% de todos os casos resultam em sentença na Índia. "Quanto a estupros, por exemplo, em muitos locais são as mulheres que precisa apresentar provas do crime. Como elas podem fazer isso? Muitas vezes não há provas suficientes. E se o acusados somem e a polícia não puder confrontá-los, as investigações não dão em nada", diz Bharti.

"Quando se trata de violência doméstica, então as mulheres preferem ficar caladas, pois elas não querem comprometer a sua família e têm medo de represálias", comenta. Muitas vezes elas nem mesmo têm noção dos seus direitos.

O fato de mulheres serem desfavorecidas pelo sistema policial e judicial indiano é um problema generalizado, diz a advogada Jaiswal. "As forças policiais e juízes não possuem sensibilidade para questões de gênero. O sistema de valores vigente não coloca as mulheres em pé de igualdade com os homens. As pessoas nem mesmo estão acostumadas a ver as mulheres deixarem suas casa."


Diversos protestos tomaram conta da Índia após a morte da estudante

Esforço em prol de reformas

O governo indiano espalhou 1.700 tribunais de procedimento rápido em 2004 por toda a Índia para reduzir o grande número de processos acumulados. Mas, em 2011, depois de uma série de falhas em processos terem sido apontadas, o governo retirou seu apoio a essas cortes. O caso da jovem estudante estuprada em um ônibus está em curso num desses tribunais, em Nova Déli.

De acordo com o governo, o processo deverá estar concluído em cem dias. Somente o inquérito contra os cinco acusados – o sexto é menor de idade – tem 1.000 páginas. A família da vítima exige que os criminosos recebam a pena de morte. Na Índia, isso só é possível em casos especialmente graves. "A justiça é mais importante que a velocidade nesse processo", acentuou o presidente do Supremo Tribunal da Índia, Altamas Kabir.

 O governo indiano criou duas comissões de inquérito: uma para esclarecer possíveis falhas nas investigações desse caso, e outra para formular sugestões de como reduzir a violência contra as mulheres e de como reformar a polícia e a Justiça. Um objetivo ambicioso. Mas o governo está sob pressão, já que em 2014 é ano de eleições na Índia.

Autora: Priya Esselborn (fc)
Revisão: Alexandre Schossler



07/01/2013 06h57 - Atualizado em 07/01/2013 07h16
Policiais são suspensos após novo caso de estupro coletivo na Índia
Suspensão vem no dia da primeira audiência de acusados por estupro em ônibus, crime que abalou a Índia.
Da BBC

Estupro coletivo gerou protestos em toda a Índia (Foto: AFP)

Quatro policiais foram suspensos e um quinto foi transferido em conexão com os desdobramentos de um novo caso de estupro e assassinato ocorrido perto da capital da Índia, Nova Déli.
O pai da suposta vítima de 21 anos disse à BBC que ela teria sofrido um estupro coletivo. Seu corpo foi encontrado no sábado.
Dois homens suspeitos de envolvimento com o crime foram presos e um terceiro teria fugido.
O novo episódio vem à tona no mesmo dia em que cinco homens compareceram a um tribunal da capital indiana, acusados de sequestro, estupro coletivo e assassinato de uma jovem de 23 anos no mês passado, em um caso que chocou a Índia e despertou uma série de protestos por todo o país.
A vítima do episódio mais recente era uma empregada de uma fábrica em Noida, um subúrbio de Nova Déli.
De acordo com a mídia indiana, ela foi dada como desaparecida na sexta-feira, por não ter regressado para casa após o trabalho.
O pai da menina afirmou que a polícia inicialmente não demonstrou qualquer reação ao ser informada de sua desaparição, sugerindo que ela talvez tivesse fugido com alguém. O episódio gerou protestos em Noida.
Processo acelerado.
No sábado, foram identificados os cinco acusados do crime que causou comoção na Índia - o estupro coletivo e assassinato de uma jovem de 23 anos dentro de um ônibus.
Os promotores dizem ter amplas provas contra os suspeitos, que poderão ser condenados à pena de morte se considerados culpados.
Os cinco acusados são Ram Singh, seu irmão Mukesh, Pawan Gupta, Vinay Sharma e Akshay Thakur.
Um sexto acusado, um adolescente de 17 anos, será julgado em um tribunal juvenil.
O processo foi acelerado, para que os acusados pudessem ser julgados semanas após o crime, em vez de meses, como seria o procedimento tradicional.
No dia 16 de novembro, a vítima, uma estudante, foi estuprada por cerca de uma hora, espancada com barras de ferro e lançada para fora nua do ônibus em movimento, juntamente com um amigo.
Ela morreu dias depois em um hospital, em consequência de seus ferimentos.
O incidente segue gerando protestos na Índia. No domingo, ativistas foram novamente às ruas em Nova Déli, reivindicando leis mais duras contra estupro e reformas por parte da polícia.
Muitos ativistas afirmam que a polícia constantemente deixa de indiciar acusados de crimes sexuais.

 Texto de protesto que está rodando na internet:
A violência é a grata arma dos ignorantes...
Dos que não sabem compartilhar ou perceber a beleza de um outro ser enquanto humano...
E enquanto as mulheres não se compreenderem como pessoas independente de seu gênero e os homens compreenderem que as mulheres não são seus brinquedos, mas que podem ser companheiras pessoas com quem afetivamente podem estar lado a lado na construção da vida, assistiremos nossas avós, mães, filhas, amigas, cidadãs destituídas do direito de somente existir.
Todas nós que somos agredidas por palavras, por atos e por uma violência legitimada pela mais profunda ignorância...
A que conhecimento devem se ater os homens para conhecerem as mulheres.... Além de só utilizarem seus corpos seja para servi-los ou para violentar?!
Quando acontecerá dos homens educarem seus filhos a serem livres sexualmente...
Livres da competição, livre da necessidade de domínio, livre da submissão machista de não usarem o sexo para agredir e sim para se encontrar...
quando será que um homem cidadão do mundo olhará para uma mulher sem que seja para servi-lo...
O que será que faz com que os homens não enxerguem ao longo de tantos anos em sua história enquanto ser humano alguém que lhe é diferente sem temê-lo?
Gostaria que Freud estivesse vivo para perguntar o que temem os homens quanto às mulheres?
O que temem tanto? Encantar-se com a pessoa ao invés de iludir e agredir seu corpo?
Gostaria que os homens se perguntassem como um homem deduz que uma mulher deseja ser violenta sexualmente?
Que mulheres são suas mães e suas filhas?
Acredito que mais do que enviar este texto para um grande número de mulheres, deva enviar a um grande número de homens para que reflitam em como eles homens educam seus filhos, como cada um já agrediu verbalmente ou fisicamente uma pessoa pelo simples fato de ser do outro gênero,o feminino.
E resaltar que cada vez que um marido agrediu a mãe está ensinando a filha como ela deve ser agredida.

https://secure.avaaz.org/po/end_indias_war_on_women/?acidPab

25.12.11

Mulheres ainda enfrentam rigidez do sistema no Afeganistão


Fawad Peikar.

Cabul, 7 dez (EFE).- Mariyam é uma mãe de 17 anos que afirma que é muito difícil ser mulher no Afeganistão. Quando tinha 11 anos, se tornou noiva de um rapaz sete anos mais velho em troca de US$ 3 mil e foi obrigada a se casar com apenas 14.

Seu marido é taxista e ainda tem que saldar a dívida que tinha com o sogro em um país onde é amplamente difundido tanto o casamento infantil quanto o forçado, além da compra e venda de mulheres para contrair matrimônio, estuprá-las ou solucionar uma disputa familiar.

"Primeiro, fui uma filha vendida. Depois, me tornei uma esposa comprada", lamenta Mariyam, que apanhou de seus sogros durante os primeiros meses de casamento até o nascimento de seu primeiro filho, a quem deu à luz com apenas 15 anos.

Um relatório da ONU divulgado neste mês apresenta uma série de casos que exemplificam a gravidade da situação.

Uma delas é a história de duas irmãs de 15 e 17 anos que foram assassinadas na província de Herat, depois que a mais velha se recusou a casar com o homem escolhido por sua família. As jovens morreram após serem atacadas em um quarto por cinco pessoas, incluindo os futuros parentes.

A Polícia deteve os cinco agressores em outubro de 2010, mas o tribunal que investigava o caso condenou a apenas 16 anos de prisão dois deles - os futuros sogro e marido -, enquanto os demais continuaram livres.

Durante o regime fundamentalista talibã, que dominou o Afeganistão entre 1996 e 2001, a vida das mulheres foi muito difícil. Elas eram forçadas a vestir a burca, não podiam trabalhar, estudar ou sair de casa sem a companhia de algum homem que fosse seu parente.

A situação mudou um pouco com a chegada da comunidade internacional ao país, após a queda dos talibãs. De acordo com o relatório, nos últimos anos, houve um "progresso", comprovado pelos 38% de mulheres escolarizadas, as 69 deputadas que ocupam uma cadeira no Parlamento e as primeiras a conseguirem se formar como pilotos.

"Somos testemunhas de muitas mudanças positivas na vida das mulheres desde a invasão liderada pelos Estados Unidos que derrubou o regime talibã", (em 2001) afirma à Agência Efe Farida Yasser, uma professora de 42 anos que leciona em uma escola para meninas.

Em seu estudo, a ONU expõe o panorama "promissor" dos tribunais de algumas províncias, mas ressalta que o pequeno número de casos semelhantes revela a necessidade de um papel mais ativo dos sistemas judiciário e governamental.

O objetivo do estudo é que a lei seja aplicada em casos de violência contra as mulheres, já que a rigidez da ideologia talibã ainda sobrevive em qualquer esfera da vida afegã

Uma deputada, que não quis se identificar, afirmou à Efe que seu partido é frequentemente desprezado por alguns deputados no Parlamento.

"Muitas vezes sou interrompida por legisladores por expor um argumento lógico, já que sou mulher e, nas palavras de um amigo deputado no Parlamento, só tenho 'meio cérebro'". EFE

(este texto foi extraído do site yahoo).

5.12.11

Millicent Gaika e outras vítimas! Algo deve ser feito

28.1.11

Millicent Gaika e outras vítimas! Algo deve ser feito !



Caros amigos,

Millicent Gaika foi atada, estrangulada, torturada e estuprada durante 5 horas por um homem que dizia estar “curando-a” do lesbianismo. Por pouco não sobrevive.

Infelizmente Millicent não é a única: este crime horrendo é recorrente na África do Sul, onde lésbicas vivem aterrorizadas com ameaças de ataques. O mais triste é que jamais alguém foi condenado por “estupro corretivo”.

De forma surpreendente, desde um abrigo secreto na Cidade do Cabo, algumas ativistas corajosas estão arriscando as suas vidas para garantir que o caso da Millicent sirva para suscitar mudanças. O apelo lançado ao Ministério da Justiça teve forte repercussão, ultrapassando 140.000 assinaturas e forçando-o a responder ao caso em rede nacional. Porém, o ministro ainda não respondeu às demandas por ações concretas.

Vamos expor este horror em todos os cantos do mundo -- se um grande número de pessoas aderirem para amplificar e escalar esta campanha, poderemos chegar ao Presidente Zuma, autoridade máxima na garantia dos direitos constitucionais. Vamos exigir de Zuma e do Ministro da Justiça que condenem publicamente o “estupro corretivo”, criminalizando crimes de homofobia e garantindo a implementação imediata de educação pública e proteção para os sobreviventes. Assine a petição agora e compartilhe -- nós a entregaremos ao governo da África do Sul com os nossos parceiros na Cidade do Cabo:

www.avaaz.org/po/stop_corrective_rape/97.php?cl_tta_sign=d97ce7363f33b0ced19ad4214fdeeeff

A África do Sul, chamada de Nação Arco-Íris, é reverenciada globalmente pelos seus esforços pós-apartheid contra a discriminação. Ela foi o primeiro país a proteger constitucionalmente cidadãos da discriminação baseada na sexualidade. Entretanto, apenas na Cidade do Cabo, a ONG local Luleki Sizwe registrou mais de um “estupro corretivo” por dia e o predomínio da impunidade.

O “estupro corretivo” é baseado na noção absurda e falsa de que lésbicas podem ser estupradas para “se tornarem heterossexuais”. E este ato horrendo não é classificado como crime de discriminação na África do Sul. As vítimas geralmente são mulheres homossexuais, negras, pobres e profundamente marginalizadas. Até mesmo o estupro grupal e o assassinato da Eudy Simelane, heroína nacional e estrela da seleção feminina de futebol da África do Sul em 2008, não mudou a situação. Na semana passada, o Ministro Radebe insistiu que o motivo de crime é irrelevante em casos de “estupro corretivo”.

A África do Sul é a capital do estupro do mundo. Uma menina nascida na África do Sul tem mais chances de ser estuprada do que de aprender a ler. Surpreendentemente, um quarto das meninas sul-africanas são estupradas antes de completarem 16 anos. Este problema tem muitas raízes: machismo (62% dos meninos com mais de 11 anos acreditam que forçar alguém a fazer sexo não é um ato de violência), pobreza, ocupações massificadas, desemprego, homens marginalizados, indiferença da comunidade -- e mais do que tudo -- os poucos casos que são corajosamente denunciados às autoridades, acabam no descaso da polícia e na impunidade.

Isto é uma catástrofe humana. Mas a Luleki Sizwe e parceiros do Change.org abriram uma fresta na janela da esperança para reagir. Se o mundo todo aderir agora, nós conseguiremos justiça para a Millicent e um compromisso nacional para combater o “estupro corretivo”:

http://www.avaaz.org/po/stop_corrective_rape/97.php?cl_tta_sign=d97ce7363f33b0ced19ad4214fdeeeff

Esta é uma batalha da pobreza, machismo e homofobia. Acabar com a cultura do estupro requer uma liderança ousada e ações direcionadas, para assim trazer mudanças para a África do Sul e todo o continente. O Presidente Zuma é um tradicionalista Zulu, ele mesmo foi ao tribunal acusado de estupro. Porém, ele também condenou a prisão de um casal gay em Malawi no ano passado, e após uma pressão nacional e internacional forte, a África do Sul finalmente aprovou uma resolução da ONU que se opõe a assassinatos extrajudiciais relacionados a orientação sexual.

Se um grande número de nós participarmos neste chamado por justiça, nós poderemos convencer Zuma a se engajar, levando adiante ações governamentais cruciais e iniciando um debate nacional que poderá influenciar a atitude pública em relação ao estupro e homofobia na África do Sul. Assine agora e depois divulgue:

http://www.avaaz.org/po/stop_corrective_rape/97.php?cl_tta_sign=d97ce7363f33b0ced19ad4214fdeeeff

Em casos como o da Millicent, é fácil perder a esperança. Mas quando cidadãos se unem em uma única voz, nós podemos ter sucesso em mudar práticas e normas injustas, porém aceitas pela sociedade. No ano passado, na Uganda, nós tivemos sucesso em conseguir uma onda massiva de pressão popular sobre o governo, obrigando-o a engavetar uma proposta de lei que iria condenar à morte gays da Uganda. Foi a pressão global em solidariedade a ativistas nacionais corajosos que pressionaram os líderes da África do Sul a lidarem com a crise da AIDS que estava tomando o país. Vamos nos unir agora e defender um mundo onde cada ser humano poderá viver livre do medo do abuso e violência.

Com esperança e determinação,

Alice, Ricken, Maria Paz, David e toda a equipe da Avaaz

Leia mais:

Mulheres homossexuais sofrem 'estupro corretivo' na África do Sul:
http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2009/12/09/mulheres-homossexuais-sofrem-estupro-corretivo-na-africa-do-sul-915119997.asp

ONG ActionAid afirma que "estupros corretivos" de lésbicas na África do Sul estão aumentando:
http://virgula.uol.com.br/ver/noticia/lifestyle/2010/03/22/243215-ong-actionaid-afirma-que-estupros-corretivos-de-lesbicas-na-africa-do-sul-estao-aumentando

Acusados de matar atleta lésbica são julgados na África do Sul:
http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,acusados-de-matar-atleta-lesbica-sao-julgados-na-africa-do-sul,410234,0.htm

28.1.11

Estupro corretivo:Parem agora!




Dilma Rousseff toma posse como a primeira mulher presidente do Brasil

Sempre foi desejo de nós mulheres nos ver representadas na presidência de nosso país. Mais que isso, ter uma mulher no poder que tem passado de lutas, de coragem. Ela esteve na guerra contra a ditadura. Suas ideologias e sua força traçaram seu destino. O Brasil espera que o olhar da presidenta esteja atento as minorias. As mulheres esperam ter um grito maior, mais coeso. Sentimos orgulho ser um país com uma presidente no poder. Assim como existem poucos países no mundo governados por mulheres, sabemos que o patriarcado é forte. Vai pressionar, vai exaurir. Mas levando em conta a garra de Dilma Rousseff, nada abalará.


Dilma Rousseff toma posse como a primeira mulher presidente do Brasil

01-01-2011

A troca de comando da presidência do Brasil no dia 1 de janeiro de 2011, marcou época não apenas por sua importância política, mas também pelo fato de, pela primeira vez, o poder ter sido repassado a uma mulher, Dilma Rousseff, candidata do PT, vencedora do pleito de 2010, no segundo turno das eleições, quando venceu José Serra, do PSDB, 46,91% dos votos. Na ocasião, a faixa presidencial foi repassada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva para sua candidata e sucessora. O dia 1 de janeiro marca não só a troca de presidente a cada quatro anos no Brasil, como também as posses dos governadores eleitos. Além do Brasil, a Suíça também faz a cerimônia oficial da posse do novo presidente no primeiro dia do ano. Na posse de Dilma, como homenagem da primeira presidente, as mulheres ficaram encarregadas de fazer a sua segurança. Depois, ocorreu o tradicional desfile, que Dilma fez ao lado de sua filha, Paula. A forte chuva no dia, contudo, impediu que o trajeto todo fosse feito em carro aberto. Na subida da rampa do Palácio do Planalto, momento em que recebeu a faixa presidencial das mãos de Lula, a chuva parou. Aproximadamente 30 mil pessoas assistiram à cerimônia.

 
Veja abaixo, cronologia da vida da Presidenta divulgada pela Uol:
  
14.dez.1947
Nasce em Belo Horizonte (MG) Dilma Vana Rousseff, filha de Pétar Russév (Pedro Rousseff), búlgaro naturalizado brasileiro, e de Dilma Jane Silva, nascida em Friburgo (RJ), mas radicada em Uberaba (MG). É a segunda filha do casal. O primeiro foi Igor, nascido em janeiro do mesmo ano.

1951

Nasce a caçula da casa, Zana.

1952
Ingressa na pré-escola no colégio Isabela Hendrix.

1955
Aos 7 anos, Dilma é matriculada na 1ª série do Colégio Nossa Senhora de Sion, em Belo Horizonte.

A infância de Dilma Rousseff



1962
Morre Pedro Roussef, quando Dilma tinha 14 anos.

1964
Aos 16 anos, presta concurso e começa no Colégio Estadual Central (hoje Escola Estadual Governador Milton Campos), na 1ª série do curso clássico de "Ciências Sociais".

Começa a militar como simpatizante na Organização Revolucionária Marxista - Política Operária, conhecida como Polop.

Em 31 de março, golpe de Estado instaura no Brasil uma ditadura militar.

1967
Faz vestibular e começa na Face (Faculdade de Ciências Econômicas) da UFMG.

Na primeira semana de aula, faz campanha e ajuda a eleger como o representante da turma do 1º ano José Aníbal (hoje deputado federal pelo PSDB de São Paulo). Dilma e Aníbal militavam juntos na Polop.

Em setembro, aos 19 anos, casa-se no civil com Cláudio Galeno Linhares (jornalista, nascido em 1942 e na Polop desde 1962).

Polop se divide entre defender a luta armada ou combater a ditadura por meios pacíficos. Dilma adere ao Comando de Libertação Nacional (Colina), a favor de ações armadas.

1968
Ditadura baixa em 13 de dezembro o Ato Institucional nº 5, fechando ainda mais o regime.

Dilma e Galeno passam a dormir em locais diferentes para despistar policiais.

1969
Em janeiro, edifício no qual vive com o marido no centro de Belo Horizonte é cercado por viaturas do Dops, em Belo Horizonte. Dilma e Galeno conseguem escapar.

Passa a viver na clandestinidade. Usa vários codinomes: Luiza, Wanda, Estela, Marina, Maria e Lúcia, entre outros.

Abandona o curso de economia na Face. Vai de ônibus para o Rio. Galeno também, separadamente.

Em março, Galeno vai para o Rio Grande do Sul. A distância acelera o fim do casamento. A separação é formalizada em uma viagem de Dilma a Porto Alegre.

Começa a namorar e a morar junto com o advogado gaúcho Carlos Franklin Paixão de Araújo, militante de esquerda como ela.

Em encontros secretos realizados em Mongaguá (litoral de SP), na metade do ano, Colina e VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), liderada por Carlos Lamarca, decidem se unir. Formam a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares). Dilma participa do encontro. Seu já então marido, Carlos Araújo, também está presente e é eleito um dos dirigentes da nova organização.

Em julho, a VAR-Palmares executa sua ação mais ousada: o roubo do "cofre do Adhemar". O cofre que teria pertencido ao ex-governador de São Paulo Adhemar de Barros e era guardado na casa de Anna Capriglione, no bairro de Santa Tereza, no Rio. Há controvérsia sobre o valor encontrado dentro do cofre, que teria variado de US$ 2,4 milhões a US$ 2,8 milhões (em valores de hoje, de US$ 14 milhões a US$ 16,4 milhões).

Dilma nega ter participado dessa operação. Segundo Dilma, ela era da direção da VAR, mas não participou do planejamento nem da ação. Sabia que uma ação ia ocorrer, mas não sabia qual, e que após a operação não se fariam mais ações armadas.

Dilma faz treinamento de uso de armas, por cerca de duas semanas, em uma fazenda no Uruguai, próxima à fronteira com o Brasil.

Em setembro de 1969, menos de quatro meses depois de sua criação, a VAR-Palmares sofre um racha. Volta a existir a VPR, com Lamarca. Do outro lado ficam Dilma e Carlos Araújo, numa VAR-Palmares disposta a fazer ações políticas e menos guerrilha.

Em outubro, a mando da direção da VAR, muda-se do Rio para São Paulo.

1970
Em 1º de janeiro, o ex-marido Cláudio Galeno participa do sequestro de um avião em Montevidéu, no Uruguai, e refugia-se em Cuba.

Presa em 16 de janeiro, em São Paulo. Fica detida na Oban (Operação Bandeirantes), onde é torturada. Depois, é enviada ao Dops. É condenada em 3 Estados. Em São Paulo, a condenação foi de 4 anos; no Rio, de 1 ano e 1 mês; em Minas Gerais, de 1 ano. O total das penas foi de 6 anos e 1 mês de prisão e a cassação por dez anos dos direitos políticos.

Em julho, Carlos Araújo é preso.

1972
Consegue redução de pena no STM (Superior Tribunal Militar) porque os 3 processos diziam respeito à mesma acusação. Sai da prisão no fim do ano.

1973
Passa breve temporada em Belo Horizonte, na casa da mãe. Depois, muda-se para Porto Alegre. Mora na casa dos sogros, Afrânio (advogado trabalhista) e Marieta Araújo, e depois aluga um apartamento.

Passa a visitar semanalmente o marido Carlos Araújo, que ainda cumpria pena no presídio da ilha, em Porto Alegre.

Começa a fazer cursinho pré-vestibular. Os dois anos de economia cursados em Belo Horizonte não poderiam ser aproveitados, pois a UFMG jubilou os alunos envolvidos na militância de esquerda, anulando todos os créditos.

1974
Entra para a faculdade de Ciências Econômicas, na UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).

Carlos Araújo é libertado em junho.

1975
Começa a trabalhar na FEE (Fundação de Economia e Estatística), órgão do governo gaúcho.

1976
Em 27 de março, nasce Paula Rousseff Araújo. Dilma tinha 28 anos.

Morre a irmã mais nova, Zana Lívia.

Sem se filiar, faz campanha a favor do MDB na eleição de vereadores.

Ajuda a organizar debates no Iepes (Instituto de Estudos Políticos e Sociais), mantido pelo MDB (presidido no RS à época por Pedro Simon).

1977
Forma-se em economia na UFRGS.

Perde o emprego na FEE porque seu nome é relacionado numa lista, a chamada "lista do Frota", de funcionários públicos acusados de subversivos pelo general linha dura Sylvio Frota, então ministro do Exército.

1978
Decide fazer pós-graduação no Instituto de Economia da Unicamp, em Campinas (SP), para onde se muda com a filha. Carlos Araújo faz visitas com frequência quase mensal.

Fica matriculada no curso de pós-graduação (nível mestrado) em Ciências Econômicas da Unicamp de março de 1978 a julho de 1983. Nesse período, cumpre os créditos exigidos pelo programa, mas não apresenta a dissertação necessária para obter o grau de mestre.

1979
Cumpre os créditos do mestrado na Unicamp, em Campinas (SP) .

1980
No dia 16 de julho, ingressa na Assembleia Legislativa do RS, onde trabalha até 31 de dezembro de 1985, a maior parte do tempo como assessoria da bancada do PDT.

1981
Separada de fato há muitos anos do primeiro marido, oficializa o divórcio amigável de Cláudio Galeno -mas continua usando o sobrenome "Linhares".

1982
Participa da campanha de Carlos Araújo, que ganha sua primeira eleição para deputado estadual pelo PDT.

1985
Participa da campanha vitoriosa de Alceu Collares (PDT) a prefeito de Porto Alegre.

Deixa o trabalho na Assembleia Legislativa do RS em 31 de dezembro de 1985.

1986
É nomeada por Collares secretária da Fazenda da Prefeitura de Porto Alegre.

Participa da campanha de Carlos Araújo, que ganha segunda eleição para deputado estadual pelo PDT.

1988
Faz campanha para o marido, Carlos Araújo, candidato do PDT à Prefeitura de Porto Alegre. O vencedor é Olívio Dutra (PT).

1989
Com o PDT fora da Prefeitura de Porto Alegre, deixa o cargo de secretária da Fazenda.

Indicada pelo PDT, assume em 1º de janeiro o cargo de diretora-geral da Câmara de Vereadores de Porto Alegre.

Faz campanha para Leonel Brizola (PDT), candidato a presidente. No segundo turno, faz campanha para Lula (PT).

1990
Deixa a o cargo de diretora-geral da Câmara de Vereadores de Porto Alegre em 21 de fevereiro de 1990.

Participa das campanhas de Alceu Collares, ao governo gaúcho, e de Carlos Araújo, que ganha terceira eleição para deputado estadual pelo PDT.

1991
Collares a nomeia presidente da FEE (Fundação de Economia e Estatística).

1992
Faz campanha para o marido, Carlos Araújo, candidato do PDT à Prefeitura de Porto Alegre. Araújo perde. Fica em terceiro lugar, atrás do vencedor Tarso Genro (PT) e de César Schirmer (PMDB).

1993

Assume em 1º de dezembro de 1993 como secretária de Minas, Energia e Comunicações do governo Collares.

1994

Participa da campanha de Carlos Araújo, que ganha sua última eleição para deputado estadual pelo PDT.

Depois de 25 anos de relacionamento, Dilma e Carlos Araújo se separam.

1995
Deixa em 2 de janeiro a Secretaria de Minas, Energia e Comunicações.

1996
Reconcilia-se com Carlos Araújo e voltam a viver juntos.

1998
Matricula-se em um doutorado na Unicamp em ciências sociais aplicadas (a universidade permite o ingresso no doutorado mesmo sem ter concluído o mestrado). Cursa o doutorado até dezembro de 1999 cumprindo todos os créditos obrigatórios, mas não defende tese.

1999
Formaliza mudança para o nome de solteira. Deixa de usar o sobrenome "Linhares", do primeiro marido, e volta a ser Dilma Vana Rousseff.

Indicada pelo PDT, assume em 1º de janeiro de 1999 como secretária de Minas, Energia e Comunicações do governo gaúcho na administração de Olívio Dutra (PT).

2000
Separa-se definitivamente de Carlos Araújo. Compra um apartamento na Vila Assunção, próximo à casa onde viveram juntos. Até hoje, quando vai a Porto Alegre, hospeda-se nesse apartamento.

2001
O PDT se desentende com o PT no Rio Grande do Sul. Dilma opta por deixar o partido e filiar-se ao PT. Permanece na Secretaria de Minas, Energia e Comunicações.

2002
Participa da formulação do plano de governo na campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Deixa em 2 de novembro de 2002 o cargo de secretária de Minas, Energia e Comunicações do Rio Grande do Sul.

Integra em novembro a equipe de transição de governo do PT, em Brasília.

Em 20 de dezembro, Lula anuncia a indicação de Dilma para o cargo de ministra de Minas e Energia.

2003

Em 1º de janeiro, assume como ministra de Minas e Energia.

2004
Esgota-se se o tempo para integralização dos créditos e para que defenda a tese de doutorado na Unicamp.

2005
Com a crise do mensalão, José Dirceu deixa a Casa Civil. Dilma é nomeada para o cargo e assume em 21 de junho.

2006
Lula é reeleito e mantém Dilma na Casa Civil.

2007
Lula toma posse do seu segundo mandato e lança o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), uma compilação de obras de infra-estrutura e medidas econômicas, cujo valor total anunciado pelo governo chegaria a R$ 503,9 bilhões de 2007 a 2010. A Casa Civil coordena as ações e Lula passa a chamar Dilma de "mãe do PAC".

Lula começa a sugerir a aliados, em conversas reservadas, que Dilma pode ser sua sucessora.

2008

Em 28 de março, a "Folha de S.Paulo" revela que a secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, assessora de confiança de Dilma, deu uma ordem para que fossem compiladas todas as despesas realizadas pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, sua mulher Ruth e ministros da gestão tucana a partir de 1998. À época, havia uma crise por causa dos gastos com cartões corporativos do governo Lula.

O governo nega tratar-se de um dossiê contra FHC, e sim de um banco de dados. O banco de dados está ativo e abrange também o governo Lula.

2009
Em 25 de abril, anuncia em entrevista coletiva no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, ter câncer no sistema linfático e que já iniciou um tratamento quimioterápico.

Em 7 de julho, no Rio, admite erro no seu currículo divulgado na página oficial da Casa Civil, que indicava a realização completa de cursos de mestrado e doutorado. Ela fez os créditos desses cursos, mas não apresentou dissertação nem tese.

Em 9 de agosto, a ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira diz à Folha que num encontro com Dilma a ministra teria pedido que uma investigação realizada em empresas da família Sarney fosse concluída rapidamente. Dilma nega. Lina depõe no Senado e não apresenta provas da acusação.

Em 28 de setembro, médicos divulgam boletim afirmando que "Dilma Roussef encontra-se livre de qualquer evidência de linfoma, com estado geral de saúde excelente, podendo retornar a sua rotina normal".

Em 21 de dezembro, na cerimônia de lançamento do 3º Programa Nacional de Direitos Humanos, aparece pela primeira vez sem a peruca usada durante o tratamento contra o câncer.

Termina o ano consolidada em segundo lugar na pesquisa presidencial Datafolha, com 23%. José Serra (PSDB) lidera com 37%.

2010
É nomeada oficialmente pré-candidata presidente no 4º Congresso Nacional do PT, em Brasília, realizado de 18 a 21 de fevereiro.
Fonte: Uol