1.2.16

Relacionamento abusivo: faça um breve teste.


Imagem intitulada Get Out of an Abusive Relationship Step 2

1.Ele grita com você?
2.Ele te deixa com a auto-estima baixa?
3.Ele regula o que você veste?
4. Ele regula com quem e pra onde sair?
5.Ele te deixa insegura, ameaça deixá-la se você não fizer o que ele quer?
6.Ele faz uso da força ou de pressão psicológica para ter relações sexuais com você?
7. Ele não respeita o seu não?
8.Ele te considera incapaz, inferioriza sua inteligência usando termos do tipo: "burra", "idiota", "você não é capaz", "você não entendeu o que eu disse"?
9.Faz gaslighting, te chamando de "louca", "neurótica e "desequilibrada"?
10.Ele já te agrediu fisicamente, desde empurrões, beliscões, puxões de cabelo, até socos e chutes?

Se sua resposta é sim para pelo menos uma dessas perguntas:miga, seu relacionamento é abusivo. Fuja desse tipo de relação, procure amigues, parentes que possam lhe ajudar. Se se sentir ameaçada, procure a delegacia da mulher, que mesmo com toda a burocracia, é a melhor medida a se tomar. Por favor, não se cale. NÃO SE CALE!

Repasse para suas amigas e familiares, juntas somos mais fortes!

Denuncie crimes virtuais!



Em tempos de ódio nas redes sociais, precisamos saber dos nossos direitos. Denuncie sites, postagens, perfis de redes sociais que contenham discurso de ódio, bullying, misoginia, pedofilia, homofobia, racismo ou qualquer preconceito e ofensa. Vamos tornar a internet um lugar mais seguro.

Denuncie:
http://new.safernet.org.br/denuncie
http://www.crimespelainternet.com.br/como-proceder-em-casos-de-crimes-digitais/

Crimes digitais relacionados a condutas criminosas:

Enquadramento no âmbito penal:
Crimes contra a honra (arts. 138,139 e 140 do CP);
Crime de ameaça (art. 147 do CP);
Furto (art. 155 do CP);
Extorsão (art. 158 do CP);
Extorsão Indireta (art. 160 do CP);
Apropriação indébita (art. 168 do CP);
Estelionato (art. 171 do CP);
Violação de direito autoral (art. 184 do CP);
Escárnio por motivo de religião (art. 208 do CP);
Favorecimento da prostituição (art. 228 do CP);
Ato obsceno (art.233 do CP);
Escrito ou objeto obsceno (art. 234 do CP);
Incitação ao crime (art. 286 do CP);
Apologia de crime ou criminoso (art. 287 do CP);
Pedofilia (art. 241 da Lei 8.069/90);
Crime de divulgação do nazismo (art. 20º §2º. da Lei
7.716/89).


Contato Delegacias de Crimes Eletrônicos:

São Paulo
Dúvidas e notícias de crimes podem ser feitas pelo e-mail: 4dp.dig.deic@policiacivil.sp.gov.br
Atende pelo telefone 11 2221-7030 .
Pessoalmente no endereço Av. Zaki Narchi, 152 - Carandiru - São Paulo/SP.
Rio de Janeiro
DRCI - Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática
Endereço: Rua da Relação, 42, 8º andar, Centro - Rio de Janeiro (RJ)
Fone: (21) 3399 - 3201/ 3399 - 3202
Belo Horizonte
DEICC - Delegacia Especializada de Investigações de Crimes Cibernéticos
Av. Nossa Senhora de Fátima, 2855 - Bairro Carlos Prates - Belo Horizonte/MG
(ao lado da estação de Metrô Carlos Prates)
Fone: (31) 3201-7584
Curitiba
Polícia Civil do Paraná
Endereço: Rua José Loureiro 540, Centro - Curitiba (PR)
Fone: (41) 3883-8100 .
e-mail: cibercrimes@pc.pr.gov.br
Brasília
Divisão de crimes de Alta tecnologia - DICAT, Brasília (DF)
Endereço: Setor Áreas Isoladas Sudoeste, Bloco D - Brasília (DF).
Fone: (61) 3462-9531

Porque uma mulher desvaloriza a outra?

The Women Fighting for the Breeches by John Smith
(mulheres brigando por calçolas, enquanto um homem que presencia a cena parece rir.)


A mulher desvaloriza a outra por dois fatores: o primeiro é a reprodução do machismo que nos coloca uma contra outra. Segundo, é a única defesa que tem para se valorizar usando o conservadorismo e as amarras do machismo (achar que é superior em algo), usando suas próprias privações morais, físicas e emocionais, já que não tem autonomia sobre sí e nem respeito sobre suas vontades. Ela desrespeita a sí própria para em seguida desrespeitar a outra. Segue uma regra de padrões formulados pelo patriarcado para manipular e oprimir a mulher.

Falando em linguagem mais clara, funciona assim:
Tá passando um programa com uma modelo linda e o marido elogia a beleza da musa. Possuída pelo ódio a esposa diz: 'Assim é mole, arranca dinheiro de ômi rico pra gastar com plástica e shopping. Assim até eu.' Seguem mais falas:
'Fica posando nua, se amostrando, não se dá ao respeito, qual homem vai querer? Só pra sexo mesmo...'
'Essa daí? Eu duvido que não traia o marido com essa roupa vulgar.'
'Vai dizer que ela vai cuidar de casa, marido e filhos igual eu cuido? Essas mulheres só querem dinheiro. Bobo do homem que acredita.'
'Essa mulher não deve saber nem fritar um ovo pro marido e quer casar... Eu faço vatapá, estrogonofe, faço de tudo...'

Enfim, a mulher não perde a oportunidade de detonar a vizinha, a amiga, a desconhecida e até a irmã. O importante é mostrar que em algum aspecto se sente superior em relação a outra.

Mas que aspectos são esses? São legítimos? Porque te representam?
Usar batom vermelho é coisa de puta, tatuagem é coisa de puta, saia curta e decote, de puta. Quem te disse isso pela primeira vez? De onde você obteve essa informação? Da sua avó que reproduzia o machismo? Do seu tio que batia na sua tia? Na escola onde todos sempre reproduziram o machismo de seus familiares?

Entende como a coisa é intrínseca, densa? Ela parte de lá de trás, de um passado obscurecido buscando perpetuar esses preconceitos através das gerações. Mas ao se dar conta que estamos presas nesse ciclo vicioso, precisamos arrebentar essas correntes. Existe ainda uma tendência para esse pensamento. Enquanto na periferia as mulheres precisam ser prendadas e religiosas, na burguesia a mulher precisa ter além disso, dinheiro, beleza e curso superior.

Com a auto estima detonada e moldada para específicas funções, a mulher não tem a percepção de que todas nós somos livres. Não é o fato de não saber cozinhar que nos torna menores, não é o comprimento da roupa nem o decote que fala sobre nossa moral e ética. Não é nosso linguajar livre, recheado de palavrões que aliviam a alma, que vai dizer o nível cultural e social.

A nossa moral não é sobre um casamento na igreja e nem sobre casar virgem.
A nossa moral não é sobre ser separada, divorciada, ter filhos ou não.
A nossa moral não é sobre nossa opção sexual.
Não é sobre o estilo musical que ouvimos.
A nossa moral é sobre o que nos torna dignas perante a sociedade. É o trabalho, a generosidade, a humildade, a sabedoria, a empatia,  são os valores que trazemos na bagagem. A construção ética está acima de qualquer fenótipo, qualquer exigência superficial em relação a dignidade.

Vamos novamente equiparar. Brasília. Senadores, deputados, ministros com seus ternos caríssimos. São bem apessoados. Primam pela família tradicional. As mulheres usam terno ou tailler. Tudo muito sóbrio. O Brasil é um dos países mais corruptos do mundo. Essa gente arrumadinha falando bonito, está nesse nesse exato momento desfrutando do nosso dinheiro. São corruptos, ladrões de colarinho branco.

Muitas pessoas se escondem em imagens recatadas, usando a cultura padrão pra esconder suas desonestidades. O que queremos aquí não é desvirtuar o assunto mas mostrar que essa coisa de padrão tem utilidade pública. É através desse padrão que somos reguladas. Um padrão moral nascido com o cristianismo impondo submissão à mulher e fazendo com que as mulheres se tornem inimigas. Quer acabar com uma resistência? Fácil. Coloque seus oponentes uns contra os outros. Eles não terão tempo de reagir contra o inimigo. Ficarão lá brigando entre sí enquanto o verdadeiro inimigo entra no campo de batalha e vai destruindo um por um. Eis uma ferramenta do patriarcado.


Por Chriscia Costa.

Machismo no Rock e no Metal - Parte I

Por Chriscia Cross

Quem me conhece sabe que após um casamento abusivo me ví livre pra estudar música, fazer artes marciais e ser feliz.
Dedicava todo o meu tempo disponível aos estudos de música, fiz Villa Lobos, estudei com professores particulares de canto e guitarra. Parecia curada da depressão e da ansiedade. Comecei em uma banda modesta com letras de protesto e som punk. Não havia muito problema até uma letra ser rejeitada pelo baterista que era dono do estúdio. Ele era cristão e a letra protestava contra a corrupção religiosa. Entrei em outra banda som punk-thrash. Cheguei a fazer um show e foi aí que comecei a ter contato com a coisa toda. A maioria das bandas tinham essa coisa de 'rock é pra macho', 'pra quem toca sem camisa', pra quem urra mais grosso', 'nosso meio tem cerveja e coisas de homem'.

Eu tinha plena segurança que minhas composições eram boas e elogiadas ao passo que alguns integrantes mal sabiam ler cifras. Mesmo assim, algumas vezes quando me chamavam pra tocar em uma banda, o interesse era ter mulher pra chamar a atenção. Um adorno pra bandinha de machos deles. Fui entendendo como funcionava e comecei a rejeitar propostas. Rejeitei muitas pois analisando as falas, coisas do tipo: ' a gente quer uma integrante pra dar uma impulsionada na banda'. Tipo, caras vão ao show pra xavecar a mina da banda e isso é bom pra banda.

Meu sonho sempre foi ter uma banda de meninas mas como a vida é difícil, eu voltei a ficar muito deprimida. Em seguida, desenvolví um quadro de enxaqueca crônica que tenho até hoje. A medicação tira completamente a concentração, a memória vai pro espaço. Como se não bastasse o machismo, enfrentei também problemas de saúde. Passei por muitas bandas, sem me fixar em nenhuma. Vamos falar sobre o que ví e como sobrevivi:

Conheci meu namorado em uma banda. Começamos a compor coisas legais mas o líder da banda não gostou do fato de estarmos namorando e compondo pra banda. Ridicularizou nosso trabalho e me tirou da banda. Nota: Este sujeito não sabia nem ler um Dó na pauta. E eu meu namorado estamos juntos até hoje.

Estive em uma banda de playboyzinhos vikings. Como a banda era cover do Amom Amarth, eles viviam reclamando que não poderiam fazer a mesma performance porque os caras tocavam sem camisa como guerreiros e eles tinham uma mulher na banda. Nessa época estava começando a ficar muito doente e faltei alguns ensaios. Em um mês de início eles marcaram show e tive que tirar nove músicas para um show, porque o líder estava com pressa. Ele queria aparecer. Fizemos um show aos trancos e barrancos. O baterista esqueceu uma parte, o guitarrista solo se embolou. Mas eles tinham que reclamar do som da minha guitarra estar baixo, do meu equipamento e que toquei pro meu namorado que estava lá me dando força.  Assim como as namoradas deles estavam no evento também mas não havia problema. Não entendí... Aiás, a gente entendeu sim né meninas!

Uma outra banda, tudo corria muito bem. Eu compunha para a banda e estavamos gravando um cd demo. Tudo bem mas... O vocalista se apaixonou (ou faltou senso e respeito né, já que eu sou comprometida). Claro, saí da banda e foi algo muito ruim. A banda me fazia bem, éramos todos amigos e a banda acabou por isso. Coleguinhas machistas vão dizer: 'Por isso que não pode ter mulher em banda'. É mesmo? No seu trabalho não tem mulher? Na escola não tem mulher? Ou seja, a culpa é sempre da mulher que está alí instigando ou a culpa é do homem que não tem limites nem ética?

Muitos emails, inbox, homens me parando na rua e dizendo que queriam montar um projeto com uma mulher. E isso me perturbava pois eles nem se quer perguntavam sobre minhas experiências e habilidades. Era só uma imagem mesmo. Tem disso. Mas é só dizer não. A raiva passa.

Bom, passei por muitas legais, outras não pude manter por conta dos problemas de saúde. É muito triste passar o mês estudando algumas partituras e te dar um branco na hora do ensaio. É mito triste querer estar na música mas estar agonizando de dor na cama. Bom é isso. Além de uma figura feminina está toda uma vida. Suas lutas, seu passado, seus sonhos.

Eu sigo gostando muito do metal. Essa é minha visão interna, em que estive envolvida. No próximo vou falar das grandes bandas e todo o mercado mundial. Vai ser show! 

Aquí no primeiro show, eu tocava guitarra (banda se diluiu por ideologias diferentes punk x thrash, a amizade fica):
 

Última banda, Unconfined Souls, muito legal. A banda acabou após o desfalque de uma das guitarras:




10.1.13

'Mulheres Guerreiras' : restituindo a força, a integridade e os valores sociais femininos.


 Em nosso meio social, muitas mulheres estão sendo oprimidas e agredidas pelo sistema patriarcal.  O patriarcado prioriza a figura do homem como dono dos privilégios, do poder sobre o gênero feminino. Mesmo nos dias atuais, as igualdades de gênero não são respeitadas. Reprimindo esses abusos, estaremos contribuindo para uma sociedade menos opressora, mais igualitária e respeitável, preservando assim, a dignidade de nossas filhas, netas e todas as demais gerações. É incontestável que a luta que travamos é árdua, mas vemos muitas vitórias e essa é a parte mais gratificante. Lembrando que a família tradicional e a sociedade perpetuam ideias que diminuem a autonomia feminina. 'Lugar de mulher é na cozinha' e educar meninas somente para casar e ter filhos, é uma delas. Ofensas como 'feminista gorda' ou 'feminazi' jamais vão derrubar nossa luta. São pensamentos ignorantes, sem valor.
Temos os mesmos direitos que os homens, pois somos cidadãos iguais. A liberdade de ir e vir, de falar, pensar pois somos competentes e capazes. E ninguém pode nos tirar esse direito.

O domínio do homem sobre a mulher:
Como primeiro recurso, o machista impõe, ele deprecia, ele manipula. Se for questionado, ele altera a voz, se torna agressivo, tenta convencer com diversos argumentos. É retórico, inverte as situações roubando a razão pra si. Distorce uma situação e ameaça. Como último recurso, ele agride. Além de abusar psicologicamente da vítima ele também utiliza recursos selvagens, como tamanho e força. É um animal usando a  agressividade como meio de domínio.
O machista usa argumentos de falácia para mostrar uma pseudo razão, não concilia, nunca pensa em favorecer a outra parte. Como ele é egoísta, toda a situação gira em torno dele próprio, dos seus desejos, do seu querer. É o jogo do domínio.

Como transformar este monstro em um ser civilizado? Continuamos fazendo nossa parte, esclarecendo aos mais velhos, educando os meninos e meninas.

Civilidade e machismo.


Temos um mundo enorme e diverso em cultura e etnias. Quando falamos de civilidade pensamos em cidade, em pessoas letradas e suas tecnologias. Mas será que é só isso?
O respeito e a cordialidade estão ainda muito longe. A igualdade de direitos entre os sexos é abalada por edemas culturais, preceitos religiosos e uma leitura social errônea e falha. através dos séculos tivemos muitas repressões impostas pela religiosidade patriarcal e por sistemas políticos extremistas e autoritários. A máscara da democracia em alguns países parece funcionar bem. Contudo, é uma máscara. Sempre haverá alguma mulher no nosso círculo social vitimada pela violência machista. E por muitas vezes, a violência já foi experimentada por nós mesmas. O pudor em se falar do problema é um grande empecilho para a solução do problema. Quantas mulheres sentem vergonha em denunciar o agressor?
Vergonha da família, vergonha dos amigos, da comunidade, medo de ser desvalorizada, pois nossa sociedade é tão ignorante que acaba tratando a vítima com preconceito. A atitude correta é denunciar. Não espere um milagre, não espere o agressor 'ficar bonzinho', não espere a justiça de Deus. FAÇA SUA JUSTIÇA! DENUNCIE! Peça ajuda a alguém próximo, pense que não é a única e que sua DIGNIDADE é mais importante que qualquer medo ou orgulho. Não adianta estar em cima do salto e estar sendo desonrada. Não adianta sorrir para os vizinhos e saber que pode chegar em casa e ser espancada. Não adianta ter uma filha sabendo que ela pode ser vítima dessa violência e não querer pensar a respeito disto.Converse com ela. Converse com as amigas.
Vamos falar disto! Vamos punir, vamos deletar essas pessoas da sociedade. JÁ!

por Chriscia Cross

O machismo intrínseco


O machismo está escondido na literatura, nas artes, nas religiões, nos costumes de cada cultura. Não é pleno, mostra facetas em vários aspectos. É um fardo que a humanidade carrega há vários anos. Sem perceber, você acaba tendo essa percepção. O machismo é imposto de forma educativa passando por gerações.  Ele destrói a ingenuidade das crianças, colocando o fel em suas mentes, deixando uma marca ignorante no intelecto humano. Ele aporta como ideologia, como uma base funcional de argumentos para os que não tem inteligência polida. Surge também como piadas de gosto duvidoso e como assunto para ser discutido no bar, afirmando a condição de superação humana através do gênero sexual masculino. Quem nunca a estúpida frase: 'Eu sou macho'. Uma frase de enfrentamento baseada em que? No órgão sexual masculino? Se a intenção é falar sobre coragem, não seria melhor abordar sobre coragem, bravura e honra? Porque está sendo colocado de forma diferente? Simplesmente porque é passado de geração em geração a idéia de que a coragem só pode ser vivenciada por indivíduos do sexo masculino. O machismo está nas poesias, através dos pensamentos de escritores e toda a escória machista que se esconde na mídia.  Poemas de Vinícius de Moraes, Oscar Wilde, Niccolo Maquiavel ('Estou convencido de que é melhor ser impetuoso do que circunspecto, porque a sorte é como a mulher; e, para dominá-la, é necessário bater nela e contrariá-la'), conceitos religiosos de maomé, de algumas religiões orientais e de várias vertentes do judaísmo e cristianismo, livros e mais livros contendo 'a poeira do preconceito'. Até mesmo o grande filósofo Friedrich Nietzsche, não poupou as mulheres de destilar seu veneno cruel: ('Comparando no seu conjunto homem e mulher pode dizer-se: a mulher não teria engenho para se enfeitar se não tivesse o instinto do papel «secundário» que desempenha'). Não queremos reprimir o machismo. Queremos extirpá-lo. É um câncer social que causa muitas vítimas. O machismo arraigado na sociedade foi uma constante durante muitos séculos... Não há como pensar em futuro, qualidade de vida e modernidade sem pensar em destituir tal pensamento.

por Chriscia Cross

AINDA ESTAMOS TÃO LONGE DE CONSEGUIR A PAZ MUNDIAL.



A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER E CONTRA A CRIANÇA SUSSURRA SEM VOZ, PERDIDA ENTRE O DESESPERO E A ANGÚSTIA.

Estes criminosos tem advogados para sua defesa. E vão fazer de tudo para se defender da punição. Para continuar matando, estuprando e destruindo vidas. São marginais que precisam ser excluídos da sociedade.

Precisamos de leis mais severas em todo o mundo. O mundo precisa mudar. As culturas islâmicas, as culturas patriarcais, todas as regras religiosas que subjulgam a figura feminina. mulheres do mundo todo precisam se unir, precisam sair do ponto de conforto e enxergar a realidade delas. Estamos a muito tempo em guerra, sem o direito de expressão e de defesa. E maioria das pessoas ficam alienadas com seus ipods, seus tablets e suas redes sciais na comodidade de suas casas ou com seus cartões de créditos numa tarde num shopping. Essa alienação só contribui para que a violência continue. vamos falar disto! Com as amigas, nos estabelecimentos comerciais, nas entidades religiosas, nas intituições de esino, em qualquer lugar. Vamos fazer a nossa parte elaborando palestras, reuniões, trocando informações. Vamos pensar nas gerações, nossas filhas, nossas netas e todas as mulheres e crianças desconhecidas que merecem respeito e vida dígna.

Fonte:DW por uol



Caso de estupro coletivo expõe falhas da Justiça da Índia

Para especialistas, sistema judiciário indiano é sobrecarregado e têm lacunas que impedem a condenação de criminosos. E as mulheres são as principais vítimas dessa situação.

São números preocupantes: de acordo com um parecer divulgado em 2006, o Supremo Tribunal da Índia, na capital Nova Déli, precisaria de 466 anos para julgar todos os processos que estão amontoados na instituição. Ainda em 2010, o então presidente do Supremo, K. G. Balakrishnan, calculou o número de casos e chegou a inacreditáveis 27 milhões. Como se não bastasse, há uma escassez de juízes no país para cuidar de todos os processos.

Para a advogada e ativista Shweta Bharti, de Nova Déli, o problema não está no sistema jurídico indiano, que ela considera avançado, nem na legislação, que ela vê como abrangente. "O problema é a implementação. Pode demorar anos para que a justiça seja feita. E há, ainda, muitas lacunas na legislação." Essas lacunas permitiriam que acusados de cometer grandes crimes não sejam punidos ou, até mesmo, respondam pelos atos recebendo uma punição menor. De forma frequente a polícia se vê com as mãos atadas, diz Bharti.

Kamini Jaiswal, advogada do Supremo Tribunal da Índia, vai além e diz que não existe investigação independente no país. "Há mais de sete anos a suprema corte promulgou uma sentença pela qual as forças policiais na Índia deveriam ser totalmente independentes. Mas os políticos não querem que a polícia trabalhe de forma independente. Se as investigações são obstruídas, como podemos esperar que criminosos sejam condenados?", questionou.

De acordo com a Associação pelas Reformas Democráticas, uma organização não governamental de Nova Déli, cerca de um quarto dos políticos do Parlamento indiano têm processos pendentes: em parte por causa de homicídio, sequestro ou roubo.

Organização da Justiça



O Supremo Tribunal da Índia tem 27 milhões de processos acumulados para serem julgados

O sistema judiciário indiano é muito influenciado pelo direito anglo-saxão. De acordo com a Constituição de 1950, no ponto mais alto do poder judiciário está o Supremo Tribunal da Índia. A principal tarefa de 26 juízes, nomeados pelo presidente, é resolver principalmente disputas entre os estados, como também entre os estados e o governo federal. As sentenças do Supremo Tribunal são obrigatórias para todas as cortes indianas.

No próximo nível estão as chamadas "altas cortes", que são os Supremos Tribunais dos Estados. Além disso, no nível dos distritos há tribunais civis e penais. Existem também conselhos nas vilas, chamados de Panchayats, que tomam decisões relacionadas a disputas menores.

Somente as regras do direito da família e do casamento são, em alguns casos, influenciadas pela religião. Por exemplo, para os muçulmanos – que constituem cerca de 16% da população –, há uma lei própria para o casamento.

Mulheres como vítimas

A ativista Bharti diz que principalmente as mulheres são desfavorecidas pelo sistema judicial da Índia. Por possuírem um status inferior dentro da sociedade, elas são frequentemente mandadas para casa pela polícia quando apresentam queixa por causa de violência. Se forem pobres e de baixa instrução, a situação é ainda pior, principalmente no interior do país. Diante da arbitrariedade da polícia – em parte corrupta – e do temor de exclusão social, muitas vítimas de abusos sexuais decidem ficar caladas, afirma Bharti.

Apenas 20% de todos os casos resultam em sentença na Índia. "Quanto a estupros, por exemplo, em muitos locais são as mulheres que precisa apresentar provas do crime. Como elas podem fazer isso? Muitas vezes não há provas suficientes. E se o acusados somem e a polícia não puder confrontá-los, as investigações não dão em nada", diz Bharti.

"Quando se trata de violência doméstica, então as mulheres preferem ficar caladas, pois elas não querem comprometer a sua família e têm medo de represálias", comenta. Muitas vezes elas nem mesmo têm noção dos seus direitos.

O fato de mulheres serem desfavorecidas pelo sistema policial e judicial indiano é um problema generalizado, diz a advogada Jaiswal. "As forças policiais e juízes não possuem sensibilidade para questões de gênero. O sistema de valores vigente não coloca as mulheres em pé de igualdade com os homens. As pessoas nem mesmo estão acostumadas a ver as mulheres deixarem suas casa."


Diversos protestos tomaram conta da Índia após a morte da estudante

Esforço em prol de reformas

O governo indiano espalhou 1.700 tribunais de procedimento rápido em 2004 por toda a Índia para reduzir o grande número de processos acumulados. Mas, em 2011, depois de uma série de falhas em processos terem sido apontadas, o governo retirou seu apoio a essas cortes. O caso da jovem estudante estuprada em um ônibus está em curso num desses tribunais, em Nova Déli.

De acordo com o governo, o processo deverá estar concluído em cem dias. Somente o inquérito contra os cinco acusados – o sexto é menor de idade – tem 1.000 páginas. A família da vítima exige que os criminosos recebam a pena de morte. Na Índia, isso só é possível em casos especialmente graves. "A justiça é mais importante que a velocidade nesse processo", acentuou o presidente do Supremo Tribunal da Índia, Altamas Kabir.

 O governo indiano criou duas comissões de inquérito: uma para esclarecer possíveis falhas nas investigações desse caso, e outra para formular sugestões de como reduzir a violência contra as mulheres e de como reformar a polícia e a Justiça. Um objetivo ambicioso. Mas o governo está sob pressão, já que em 2014 é ano de eleições na Índia.

Autora: Priya Esselborn (fc)
Revisão: Alexandre Schossler



07/01/2013 06h57 - Atualizado em 07/01/2013 07h16
Policiais são suspensos após novo caso de estupro coletivo na Índia
Suspensão vem no dia da primeira audiência de acusados por estupro em ônibus, crime que abalou a Índia.
Da BBC

Estupro coletivo gerou protestos em toda a Índia (Foto: AFP)

Quatro policiais foram suspensos e um quinto foi transferido em conexão com os desdobramentos de um novo caso de estupro e assassinato ocorrido perto da capital da Índia, Nova Déli.
O pai da suposta vítima de 21 anos disse à BBC que ela teria sofrido um estupro coletivo. Seu corpo foi encontrado no sábado.
Dois homens suspeitos de envolvimento com o crime foram presos e um terceiro teria fugido.
O novo episódio vem à tona no mesmo dia em que cinco homens compareceram a um tribunal da capital indiana, acusados de sequestro, estupro coletivo e assassinato de uma jovem de 23 anos no mês passado, em um caso que chocou a Índia e despertou uma série de protestos por todo o país.
A vítima do episódio mais recente era uma empregada de uma fábrica em Noida, um subúrbio de Nova Déli.
De acordo com a mídia indiana, ela foi dada como desaparecida na sexta-feira, por não ter regressado para casa após o trabalho.
O pai da menina afirmou que a polícia inicialmente não demonstrou qualquer reação ao ser informada de sua desaparição, sugerindo que ela talvez tivesse fugido com alguém. O episódio gerou protestos em Noida.
Processo acelerado.
No sábado, foram identificados os cinco acusados do crime que causou comoção na Índia - o estupro coletivo e assassinato de uma jovem de 23 anos dentro de um ônibus.
Os promotores dizem ter amplas provas contra os suspeitos, que poderão ser condenados à pena de morte se considerados culpados.
Os cinco acusados são Ram Singh, seu irmão Mukesh, Pawan Gupta, Vinay Sharma e Akshay Thakur.
Um sexto acusado, um adolescente de 17 anos, será julgado em um tribunal juvenil.
O processo foi acelerado, para que os acusados pudessem ser julgados semanas após o crime, em vez de meses, como seria o procedimento tradicional.
No dia 16 de novembro, a vítima, uma estudante, foi estuprada por cerca de uma hora, espancada com barras de ferro e lançada para fora nua do ônibus em movimento, juntamente com um amigo.
Ela morreu dias depois em um hospital, em consequência de seus ferimentos.
O incidente segue gerando protestos na Índia. No domingo, ativistas foram novamente às ruas em Nova Déli, reivindicando leis mais duras contra estupro e reformas por parte da polícia.
Muitos ativistas afirmam que a polícia constantemente deixa de indiciar acusados de crimes sexuais.

 Texto de protesto que está rodando na internet:
A violência é a grata arma dos ignorantes...
Dos que não sabem compartilhar ou perceber a beleza de um outro ser enquanto humano...
E enquanto as mulheres não se compreenderem como pessoas independente de seu gênero e os homens compreenderem que as mulheres não são seus brinquedos, mas que podem ser companheiras pessoas com quem afetivamente podem estar lado a lado na construção da vida, assistiremos nossas avós, mães, filhas, amigas, cidadãs destituídas do direito de somente existir.
Todas nós que somos agredidas por palavras, por atos e por uma violência legitimada pela mais profunda ignorância...
A que conhecimento devem se ater os homens para conhecerem as mulheres.... Além de só utilizarem seus corpos seja para servi-los ou para violentar?!
Quando acontecerá dos homens educarem seus filhos a serem livres sexualmente...
Livres da competição, livre da necessidade de domínio, livre da submissão machista de não usarem o sexo para agredir e sim para se encontrar...
quando será que um homem cidadão do mundo olhará para uma mulher sem que seja para servi-lo...
O que será que faz com que os homens não enxerguem ao longo de tantos anos em sua história enquanto ser humano alguém que lhe é diferente sem temê-lo?
Gostaria que Freud estivesse vivo para perguntar o que temem os homens quanto às mulheres?
O que temem tanto? Encantar-se com a pessoa ao invés de iludir e agredir seu corpo?
Gostaria que os homens se perguntassem como um homem deduz que uma mulher deseja ser violenta sexualmente?
Que mulheres são suas mães e suas filhas?
Acredito que mais do que enviar este texto para um grande número de mulheres, deva enviar a um grande número de homens para que reflitam em como eles homens educam seus filhos, como cada um já agrediu verbalmente ou fisicamente uma pessoa pelo simples fato de ser do outro gênero,o feminino.
E resaltar que cada vez que um marido agrediu a mãe está ensinando a filha como ela deve ser agredida.

https://secure.avaaz.org/po/end_indias_war_on_women/?acidPab

25.12.11

Mulheres ainda enfrentam rigidez do sistema no Afeganistão


Fawad Peikar.

Cabul, 7 dez (EFE).- Mariyam é uma mãe de 17 anos que afirma que é muito difícil ser mulher no Afeganistão. Quando tinha 11 anos, se tornou noiva de um rapaz sete anos mais velho em troca de US$ 3 mil e foi obrigada a se casar com apenas 14.

Seu marido é taxista e ainda tem que saldar a dívida que tinha com o sogro em um país onde é amplamente difundido tanto o casamento infantil quanto o forçado, além da compra e venda de mulheres para contrair matrimônio, estuprá-las ou solucionar uma disputa familiar.

"Primeiro, fui uma filha vendida. Depois, me tornei uma esposa comprada", lamenta Mariyam, que apanhou de seus sogros durante os primeiros meses de casamento até o nascimento de seu primeiro filho, a quem deu à luz com apenas 15 anos.

Um relatório da ONU divulgado neste mês apresenta uma série de casos que exemplificam a gravidade da situação.

Uma delas é a história de duas irmãs de 15 e 17 anos que foram assassinadas na província de Herat, depois que a mais velha se recusou a casar com o homem escolhido por sua família. As jovens morreram após serem atacadas em um quarto por cinco pessoas, incluindo os futuros parentes.

A Polícia deteve os cinco agressores em outubro de 2010, mas o tribunal que investigava o caso condenou a apenas 16 anos de prisão dois deles - os futuros sogro e marido -, enquanto os demais continuaram livres.

Durante o regime fundamentalista talibã, que dominou o Afeganistão entre 1996 e 2001, a vida das mulheres foi muito difícil. Elas eram forçadas a vestir a burca, não podiam trabalhar, estudar ou sair de casa sem a companhia de algum homem que fosse seu parente.

A situação mudou um pouco com a chegada da comunidade internacional ao país, após a queda dos talibãs. De acordo com o relatório, nos últimos anos, houve um "progresso", comprovado pelos 38% de mulheres escolarizadas, as 69 deputadas que ocupam uma cadeira no Parlamento e as primeiras a conseguirem se formar como pilotos.

"Somos testemunhas de muitas mudanças positivas na vida das mulheres desde a invasão liderada pelos Estados Unidos que derrubou o regime talibã", (em 2001) afirma à Agência Efe Farida Yasser, uma professora de 42 anos que leciona em uma escola para meninas.

Em seu estudo, a ONU expõe o panorama "promissor" dos tribunais de algumas províncias, mas ressalta que o pequeno número de casos semelhantes revela a necessidade de um papel mais ativo dos sistemas judiciário e governamental.

O objetivo do estudo é que a lei seja aplicada em casos de violência contra as mulheres, já que a rigidez da ideologia talibã ainda sobrevive em qualquer esfera da vida afegã

Uma deputada, que não quis se identificar, afirmou à Efe que seu partido é frequentemente desprezado por alguns deputados no Parlamento.

"Muitas vezes sou interrompida por legisladores por expor um argumento lógico, já que sou mulher e, nas palavras de um amigo deputado no Parlamento, só tenho 'meio cérebro'". EFE

(este texto foi extraído do site yahoo).